Tenho ouvido mães, pais e famílias falando da dificuldade em educar em tempos de internet e tecnologias. Cheguei a ouvir uma mãe argumentar que é culpa do youtube ela não conseguir colocar limite nos filhos.

Mas se pararmos para pensar, cada geração teve seus entraves e dificuldades na hora de educar os filhos. Lembro bem de algumas broncas que levei por passar horas no telefone com amigas. Provavelmente meus avós tiveram que chamar atenção dos meus pais por ficarem tempo demais assistindo TV.

E agora não tem como voltar atrás: se seus filhos ainda não estão na internet, em breve vão estar. Por isso, ao invés de condenar estas práticas, que tal acompanhar de perto as atividades digitais da criançada?

Diferente da geração da década de 1970, que reaprendeu a estudar e a trabalhar com o surgimento da internet, as crianças de hoje usam gadgets muito instintivamente. Participar de redes sociais, seja para jogar online, postar e comentar fotos ou bater-papo com amigos, é uma realidade para 70 % das crianças brasileiras de nove a 16 anos, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2012, do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil.

O resultado revela dados alarmantes, como o de que 23% dos 5% de crianças de 11 a 16 anos que já tiveram contato com estranhos na internet, encontraram pessoalmente essas pessoas. Proibir o acesso, no entanto, não é a solução segundo ONGs e instituições que trabalham pela segurança na web. Uma boa conversa com orientação, é sempre o caminho ideal.

Pesquisa mais recente da CGI, mostra que 80% das crianças entre 9 e 17 anos estão conectadas à internet, sendo que 97% nas classes sociais A e B, 85% na classe C e 51% nas classes D e E. Mas o mais importante desta pesquisa diz respeito à saúde: 21% das crianças e adolescentes deixam de comer ou dormir por causa da internet!

Internet e tecnologia como aliadas, não vilãs.

Mas se computadores, games, tablets e smartphones são uma realidade e um caminho sem volta, o melhor é começar a entender como cada um deles funciona, conhecer ferramentas e aplicativos que podem ajudar na segurança das crianças e passar a usá-los com sabedoria.

Garantir uma navegação segura é essencial. Para isso, é importante atualizar o sistema operacional do computador e devices nos quais a criança ou adolescente acessa internet, jogos e as redes sociais. Instale um firewall e antivírus ou aplicativos que ajudem na gestão das rotinas de uso de celulares e tabletes além de gravar o histórico das páginas visitadas (portanto, perfis e comunidades das redes sociais) e chats.

Instruir sobre a escolha de senhas seguras também é importante, afinal de contas, ela é a identidade digital do usuário e com ela em mãos, alguém mal intencionado pode cometer pishing (roubo de informações pessoais importantes), além de crimes em seu nome, como os contra a honra e cyberbulling. Por isso, quando for abordar esse assunto, também é fundamental esclarecer para a criança que compartilhar a senha com amigos não é prova de amor ou amizade.

Usar os aparelhos e deixar o computador e game em uma área comum a toda a família, de forma que se possa ver o que as crianças e adolescentes estão fazendo nas redes, além de tornar a webcam desligada uma regra (pois há programas que capturam imagens sem que o usuário perceba) são duas das outras medidas de segurança que podem prevenir situações de risco dentro de casa.

Regra é regra e serve para o mundo real e para o virtual

Antes mesmo que o seu filho crie um perfil em uma rede social é importante ter uma conversa franca para esclarecer como funciona o mundo virtual, que assim como o real, tem regras, infrações e penalidades.

Para início de conversa, deve-se levar em conta a idade da criança. A maioria das redes sociais estabelece a idade mínima de 13 anos em seus termos de uso. Caso seu filho tenha menos do que isso, é possível apresentar outras redes sociais para ele, específicas para sua idade, em especial comunidades de jogos.

Se ele tiver mais do que 13 anos, há algumas maneiras de monitorar as atividades. Uma delas é AppGuardian possibilita que os pais verifiquem a localização dos filhos em tempo real, bloqueiem o acesso a aplicativos no celular das crianças e ainda tenham um relatório do tempo gasto no Youtube e demais redes sociais. Outra funcionalidade é o Tempo de Tela onde é possível determinar quanto tempo querem que os filhos fiquem à frente das telas de forma personalizada.

Cartas na mesa

Lembre-se, é preciso orientar as crianças a ter respeito e responsabilidade com o que publicar, pois tudo tem consequência. Escolher bem as comunidades e páginas para seguir, porque podem difamar o próprio usuário ou sua família. É preciso, também, certificar-se que as fotos publicadas não irão ferir a reputação de ninguém e nem irão violar direitos autorais são algumas questões sobre como utilizar as redes sociais que cabem aos pais e responsáveis passarem aos seus filhos.

Velhos conselhos do mundo real que servem para o virtual.

E se você aprendeu várias coisas com os seus pais sobre segurança, valores e respeito quando a internet ainda era discada e você não tinha ideia de onde ela iria te levar, você também deve passar esses mesmos conceitos aos seus filhos. Agora aplicando isso ao mundo virtual e tecnológico ao qual pertencemos. 

Aqui alguns dos velhos conselhos que continuam valendo – e muito! – nos dias de hoje:

  • Não falar com estranhos;
  • Não pegar carona em qualquer comunidade;
  • Não copiar o conteúdo dos outros;
  • Não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem com você;
  • Não usar fotos que não sejam autorizadas pela pessoa fotografada.

Então, vamos parar de culpar a tecnologia, arregaçar as mangas, e aprender a lidar com a nossa nova realidade enquanto pais das novas gerações que já nascem usando celulares, redes sociais (tem criança na barriga da mãe que já é sucesso online, né?) e repletos de relacionamentos virtuais!

Por Cynthia Jacques – diretora da KIDS in, mãe da Luiza, boadrasta do Felipe e do Mateus, tia do Phill, madrinha do Gui, tia de um monte de criança maneira, ex-professora de ballet e sapateado além de formada em fonoaudiologia.

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    Luiza

    A um certo tempo venho percebendo comportamentos estranhos no meu filho e vi que ele esta com umas amizades novas na escola, não sei se isto esta influenciando ele , más instalei este programa https://apinc.com.br ele é muito bom e me permite acompanhas todas as atividades do meu filho

    1. Avatar
      kidsin

      Que legal saber do aplicativo Luiza! Obrigada por compartilhar conosco e outras mães. Só de curiosidade, que idade tem seu filho?