Muitos pais acham que o ronco dos filhos é normal (e até bonitinho, fofo), consequência do cansaço após um dia cheio de atividades e brincadeiras. Mas, especialistas afirmam que não! Não há nada de normal nisso e ainda alertam: se as causas não forem tratadas, o ronco pode persistir, trazendo outros problemas imediatos, como infecções de garganta, rouquidão, mau hálito, e, na vida adulta, complicações graves.

O ronco pode ocorrer já durante a vida de bebê, mas é mais comum na faixa etária pré-escolar e escolar, entre dois e oito anos de idade. Dos quatro aos sete anos, cerca de 10% das meninas e dos meninos roncam. Mas, como é que surge esse ruído respiratório chatinho para atrapalhar o sono gostoso das crianças? De acordo com a Dra. Beatriz Lana, especialista em medicina do sono, no caso dos pequenos, o ronco está associado, na maioria das vezes, a uma obstrução na passagem de ar pela via aérea, que se inicia no nariz:

– Geralmente, amígdalas e adenoides grandes são as principais causas do ronco infantil. Outros fatores que contribuem para surgimento do problema são a obesidade, asma, refluxo gastroesofágico, problemas neurológicos, além da rinite alérgica, que causa um inchaço na mucosa nasal, sinusites e respiração oral.

A especialista ressalta ainda que nascemos e somos programados para usar o nariz para respirar. Se uma criança começa a usar a boca para respirar (em decorrência de obstrução na passagem do ar pela via aérea) e roncar enquanto dorme, os pais, provavelmente, observarão o surgimento de problemas como mau hálito, infecções de garganta repetidas, rouquidão, e piora do refluxo gastroesofágico. E esses problemas podem causar sérias consequências na saúde dos pequenos, como explica a médica:

– As crianças que usam a boca para respirar e ainda usam chupeta podem desenvolver ou agravar problemas na arcada dentária e piorar o ronco. Além disso, elas podem desenvolver um comportamento extremamente fatigado ou hiperativo; ter dificuldades de concentração na escola, resultando em um atraso no aprendizado; e não crescer adequadamente por não respirar bem. Em longo prazo, essas crianças também podem apresentar alterações faciais por conta da respiração bucal crônica, que só são corrigidas com cirurgias grandes na face (bucomaxilares), extensa terapia fonoaudiológica e fisioterapia postural.

E como tratar os episódios de ronco, quando eles já existem? A Dra. Beatriz Lana explica que, caso o problema seja por conta da presença de grandes amígdalas e adenoides, o tratamento é feito por meio de cirurgias. No entanto, crianças com rinite e sinusite devem tratar o ronco com medicação apropriada, sempre com acompanhamento médico. “Além disso, é preciso observar a arcada dentária e o volume da língua da criança que ronca, para saber se deve ser indicado o uso de aparelhos ortodônticos”, explica a especialista.

Portanto, pais, fiquem alerta! Sempre a criança apresentar roncos e apneias, o pediatra e o otorrinolaringologista ou médico do sono devem ser informados para que sejam realizados o diagnóstico e o tratamento adequados.

Mais informações: www.dralana.com.br

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